quarta-feira, 18 de novembro de 2015

9. Justificativa


9.      Justificativa

No ano de 2011 o Governo do Estado do Pará lançou, através da Companhia Paraense de Turismo - PARATUR o “Plano Estratégico Ver-o-Pará de Turismo”, com ações previstas para os anos de 2012 a 2020.

Denominando o Estado como “Obra Prima da Amazônia” por ser a síntese de um território exuberante na sua dimensão paisagística, ecológica, histórica, na sua culinária, cultura e hospitalidade popular, características importantes na definição de destinos turísticos na Amazônia.

O “Ver-o-Pará” concebe o plano de desenvolvimento do turismo em um sistema de etapas visando “a criação de políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades (...), a disponibilização dos incentivos para a implantação dos equipamentos e serviços turísticos (...), a estruturação e capacitação dos serviços turísticos públicos (...), e a promoção da sustentabilidade e da qualidade dos serviços prestados pelos diversos elos da cadeia turística” (PEVPT, 2011).

O Estado do Pará está atualmente dividido em seis polos de atividades e atração turística, definidos em: Polo Belém (mais Ilhas); Polo Amazônia Atlântica; Polo Araguaia-Tocantins; Polo Marajó; Polo Tapajós e Polo Xingu.

Nestes polos turísticos as regiões com maior demanda turística são Belém, Santarém e Marajó, ressaltando-se que, no mercado internacional, em comparação com o estado do Amazonas, Manaus possui maior demanda por destino turístico que Belém.

Segundo o Núcleo de Planejamento da PARATUR em pesquisa desenvolvida em julho de 2011, no período de alta temporada no Estado, em entrevista com 800 turistas, a principal motivação para visitar o Pará foi em primeiro lugar “Conhecer os atrativos naturais”, em seguida motivado por “negócios e trabalho” e por fim, para “visitar parentes e amigos”. A mesma pesquisa identificou também que as principais atividades realizadas durante a estadia turística no Pará foram: “ir à praia”, “fez compras” e “fez passeios de barco”.

Os dados turísticos relacionados ao destino turístico às ilhas de Belém são bastantes incipientes e pouco confiáveis, haja vista o baixíssimo registro formal de hospedagem em pousadas ou hotéis ou qualquer registro turístico na emissão de passagens (trapiche e terminal), estando os dados da PARATUR bastante desatualizados (PEVPT, 2011).

Em relação a Ilha de Cotijuba, objeto de estudo e pesquisa do Projeto Trilha Dourada, os registros são praticamente inexistentes.

A Ilha de Cotijuba é uma das 42 ilhas que fazem parte da região metropolitana de Belém, sendo a terceira em dimensão territorial, com 1.600 hectáres. Possuindo cerca de 15 quilômetros de praias de água doce e morna, distante a 45 minutos de barco de Icoaraci.

O nome Cotijuba está associado aos seus primeiros habitantes – os índios Tupinambás – e em língua tupi significa “Trilha Dourada”, alusão às falésias que expõem a argila amarelada que compõe o solo da ilha. 

Banhada pelas águas da Baías do Marajó e do Guajará, Cotijuba vem sendo considerada pelos estudiosos da área do turismo como "ilha ideal ou ilha verdadeira", podendo ser visitada por turistas e veranistas em um único dia, apresentando-se ainda com uma espécie de “refúgio natural” ante ao espaço urbano, onde a natureza ainda se apresenta pouco transformada, o que, na interpretação do geógrafo e pesquisador Odimar Melo, cria, pelas peculiaridades naturais de Cotijuba,  um imaginário social da "busca pelas aventuras da ilha", oferecendo descanso e lazer, em um espaço próximo de Belém e ao mesmo tempo exótico, que desperta curiosidades urbana e possibilita sensação de harmonia com o meio ambiente.

 O acelerado processo de crescimento populacional que Belém vem apresentando nas últimas décadas gera grande pressão às áreas verdes do município, com inúmeras mudanças socioambientais, sobretudo, na porção insular de Belém, o que transforma a Ilha de Cotijuba (juntamente com Mosqueiro e Caratateua), em áreas alternativas para o crescimento populacional de Belém.

Transformada em Área de Preservação Ambiental - APA em 1990, Cotijuba apresenta uma população residente bastante reduzida, contabilizada em pouco mais de 1600 pessoas, as quais praticam a pesca e a agricultura de subsistência, o extrativismo, pequenas atividades comerciais e, mais recentemente, atividades ligadas ao turismo (transporte, hospedagem e alimentação), sobretudo relacionadas a exploração das suas praias. No período de alta temporada de veraneio (em especial nas férias do mês de julho), sua população flutuante aumenta vertiginosamente, sobretudo nos finais de semana, chegando aproximadamente a 20 mil pessoas na Ilha. (BELEMTUR, 2008)

Por ser uma APA há restrição ao uso e circulação de automóveis na ilha, exceto pela polícia militar e ambulância, sendo o deslocamento populacional interno realizado através do uso de bondes, charretes, motos, bicicletas ou ainda a pé.

Não resta dúvida que a principal motivação para o interesse e destino turístico em relação a Ilha de Cotijuba está vinculado às suas praias de água doce, sendo portando um balneário bastante acessível e logo o seu recurso e produto exploração principal.

Outros recursos com potenciais de uso turístico, para além da praia, são desvalorizadas ou mesmo ainda não foram exploradas como oferta turística no seu destino final.  Um olhar mais atento, investigativo e criterioso para o potencial turístico de Cotijuba podem revelar novidades perante a curiosidade e atração turística “agregando mais valor” a ideia de “ilha” associada exclusivamente a “água e praia”.

 Os recursos turísticos de uma região ou localidade, representa os seus “atrativos (patrimônio natural, cultura, clima) e a população que vive no território. Quando esses recursos são estruturados para uso turístico, transformam-se em produtos. Assim, entende-se que um “produto” é aquele recurso que oferece a possibilidade para a prática de uma atividade turística (visitar, assistir, participar, estudar, comprar, comer), porque foram organizadas propostas para o visitante usufruir do atrativo e estabelecidas condições de acessibilidade para o público”. (CHIAS, J., 2007)    

É razoável pensar que não existe atrativo turístico que seja capaz de agradar a todos os públicos. Mesmo em praias com balneabilidade favorável é possível haver contrariedades, como a presença de poluição ambiental residual e sonora ou a forma desorganizada ou predatória da ocupação do espaço na praia.

Diante do exposto, surge a necessidade para o desenvolvimento do Projeto Trilha Dourada, que contemplará, entre outras ações, o desenvolvimento de pesquisa participante com os estudantes do curso de Hospedagem e Turismo na Ilha de Cotijuba, com a finalidade de estudar e identificar os recursos da ilha com valor potencial de serem transformados em produtos turísticos ou quando já explorados, avaliar e identificar o grau de aproveitamento turístico atual na Ilha.

Ressalta-se que o valor potencial dos recursos da Ilha a ser estudado no Projeto Trilha Dourada, relacionam-se as seguintes características: a) singularidade dos recursos: algo que é exclusivo da ilha e que pode gerar forte atração turística, como a paisagem; b) valor intrínseco: valor inerente a cada recurso, mas que o coloca em destaque em relação a outros recursos, como trilhas, patrimônio histórico-cultural; c) identidade local: que é o valor que possui um recurso pelo fato de ser próprio do local, formando a identidade do lugar; d) arranjos produtivos: empreendimentos criativos, farmacologia nativa,  curiosidades.

Informações preliminares levantadas sobre Cotijuba denotam um grande potencial para o desenvolvimento do “turismo de base comunitária”, com envolvimento de sujeitos e instituições orgânicas presentes na ilha, com possibilidade de exploração de recursos relacionados a memória histórica material e imaterial da ilha, os diversos potenciais da sua biodiversidade (farmacêuticos, essências aromáticas, manguezais, frutíferas típicas, trilhas...) e empreendimentos comunitários e associativos inovadores da ilha.

Além disso, vale ressaltar que é importante neste projeto diagnosticar quais recursos possuem excepcional potencialidade de serem convergidos em produtos turísticos ao ponto de induzirem viagem e destino em alta e baixa temporada, possibilitando a ampliação da permanência do turista no seu destino ou motivando seu retorno ou mesmo a disseminação positiva da sua estadia no local de viagem, estimulando novas visitações turísticas.

Por fim, é relevante frisar que a participação dos estudantes do curso de Turismo e Hospedagem está vinculado ao conhecimento dos seguintes conteúdos e informações: Sustentabilidade e biodiversidade; Patrimônio histórico; Associativismo e Turismo de base Comunitária; Metodologia de pesquisa (tratamento, representação gráfica e análise,).


Em síntese, o Projeto Trilha Dourada desenvolverá um inventário, identificando e descrevendo a Ilha de Cotijuba. Irá diagnosticar e analisar os recursos e características da estrutura sócio-econômica local, identificando o perfil da oferta e demanda turística, e por fim, apresentará um prognóstico com sugestões para um melhor aproveitamento ou formulação de políticas e ações turísticas na Ilha de Cotijuba. 

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