9.
Justificativa
No
ano de 2011 o Governo do Estado do Pará lançou, através da Companhia Paraense
de Turismo - PARATUR o “Plano Estratégico Ver-o-Pará de Turismo”, com ações
previstas para os anos de 2012 a 2020.
Denominando
o Estado como “Obra Prima da Amazônia” por ser a síntese de um território
exuberante na sua dimensão paisagística, ecológica, histórica, na sua culinária,
cultura e hospitalidade popular, características importantes na definição de
destinos turísticos na Amazônia.
O
“Ver-o-Pará” concebe o plano de desenvolvimento do turismo em um sistema de
etapas visando “a criação de políticas e
processos de implementação de equipamentos e atividades (...), a
disponibilização dos incentivos para a implantação dos equipamentos e serviços
turísticos (...), a estruturação e capacitação dos serviços turísticos públicos
(...), e a promoção da sustentabilidade e da qualidade dos serviços prestados
pelos diversos elos da cadeia turística” (PEVPT, 2011).
O
Estado do Pará está atualmente dividido em seis polos de atividades e atração
turística, definidos em: Polo Belém (mais Ilhas); Polo Amazônia Atlântica; Polo
Araguaia-Tocantins; Polo Marajó; Polo Tapajós e Polo Xingu.
Nestes
polos turísticos as regiões com maior demanda turística são Belém, Santarém e
Marajó, ressaltando-se que, no mercado internacional, em comparação com o
estado do Amazonas, Manaus possui maior demanda por destino turístico que
Belém.
Segundo
o Núcleo de Planejamento da PARATUR em pesquisa desenvolvida em julho de 2011,
no período de alta temporada no Estado, em entrevista com 800 turistas, a
principal motivação para visitar o Pará foi em primeiro lugar “Conhecer os
atrativos naturais”, em seguida motivado por “negócios e trabalho” e por fim,
para “visitar parentes e amigos”. A mesma pesquisa identificou também que as
principais atividades realizadas durante a estadia turística no Pará foram: “ir
à praia”, “fez compras” e “fez passeios de barco”.
Os
dados turísticos relacionados ao destino turístico às ilhas de Belém são
bastantes incipientes e pouco confiáveis, haja vista o baixíssimo registro
formal de hospedagem em pousadas ou hotéis ou qualquer registro turístico na
emissão de passagens (trapiche e terminal), estando os dados da PARATUR
bastante desatualizados (PEVPT, 2011).
Em
relação a Ilha de Cotijuba, objeto de
estudo e pesquisa do Projeto Trilha Dourada, os registros são praticamente inexistentes.
A Ilha de Cotijuba é uma das 42 ilhas
que fazem parte da região
metropolitana de Belém, sendo a terceira em dimensão territorial, com 1.600
hectáres. Possuindo cerca de 15 quilômetros de praias de água doce e morna,
distante a 45 minutos de barco de Icoaraci.
O nome Cotijuba está
associado aos seus primeiros habitantes – os índios Tupinambás – e em língua
tupi significa “Trilha Dourada”,
alusão às falésias que expõem a argila amarelada que compõe o solo da ilha.
Banhada pelas águas da Baías do Marajó e do Guajará, Cotijuba vem sendo considerada pelos estudiosos da área do turismo como "ilha ideal ou ilha verdadeira", podendo ser visitada por turistas e veranistas em um único dia, apresentando-se ainda com uma espécie de “refúgio natural” ante ao espaço urbano, onde a natureza ainda se apresenta pouco transformada, o que, na interpretação do geógrafo e pesquisador Odimar Melo, cria, pelas peculiaridades naturais de Cotijuba, um imaginário social da "busca pelas aventuras da ilha", oferecendo descanso e lazer, em um espaço próximo de Belém e ao mesmo tempo exótico, que desperta curiosidades urbana e possibilita sensação de harmonia com o meio ambiente.
Banhada pelas águas da Baías do Marajó e do Guajará, Cotijuba vem sendo considerada pelos estudiosos da área do turismo como "ilha ideal ou ilha verdadeira", podendo ser visitada por turistas e veranistas em um único dia, apresentando-se ainda com uma espécie de “refúgio natural” ante ao espaço urbano, onde a natureza ainda se apresenta pouco transformada, o que, na interpretação do geógrafo e pesquisador Odimar Melo, cria, pelas peculiaridades naturais de Cotijuba, um imaginário social da "busca pelas aventuras da ilha", oferecendo descanso e lazer, em um espaço próximo de Belém e ao mesmo tempo exótico, que desperta curiosidades urbana e possibilita sensação de harmonia com o meio ambiente.
O
acelerado processo de crescimento populacional que Belém vem apresentando nas
últimas décadas gera grande pressão às áreas verdes do município, com inúmeras
mudanças socioambientais, sobretudo, na porção insular de Belém, o que
transforma a Ilha de Cotijuba (juntamente com Mosqueiro e Caratateua), em áreas
alternativas para o crescimento populacional de Belém.
Transformada
em Área de Preservação Ambiental - APA em 1990, Cotijuba apresenta uma
população residente bastante reduzida, contabilizada em pouco mais de 1600
pessoas, as quais praticam
a pesca e a agricultura de subsistência, o extrativismo, pequenas atividades
comerciais e, mais recentemente, atividades ligadas ao turismo (transporte,
hospedagem e alimentação), sobretudo relacionadas a exploração das suas praias.
No período de alta temporada de veraneio (em especial nas férias do mês
de julho), sua população flutuante aumenta vertiginosamente, sobretudo nos
finais de semana, chegando aproximadamente a 20 mil pessoas na Ilha. (BELEMTUR,
2008)
Por
ser uma APA há restrição ao uso e circulação de automóveis na ilha, exceto pela
polícia militar e ambulância, sendo o deslocamento populacional interno
realizado através do uso de bondes, charretes, motos, bicicletas ou ainda a pé.
Não
resta dúvida que a principal motivação para o interesse e destino turístico em
relação a Ilha de Cotijuba está vinculado às suas praias de água doce, sendo
portando um balneário bastante acessível e logo o seu recurso e produto
exploração principal.
Outros
recursos com potenciais de uso turístico, para além da praia, são
desvalorizadas ou mesmo ainda não foram exploradas como oferta turística no seu
destino final. Um olhar mais atento,
investigativo e criterioso para o potencial turístico de Cotijuba podem revelar
novidades perante a curiosidade e atração turística “agregando mais valor” a
ideia de “ilha” associada exclusivamente a “água e praia”.
Os recursos turísticos de uma região ou
localidade, representa os seus “atrativos
(patrimônio natural, cultura, clima) e a população que vive no território.
Quando esses recursos são estruturados para uso turístico, transformam-se em
produtos. Assim, entende-se que um “produto” é aquele recurso que oferece a
possibilidade para a prática de uma atividade turística (visitar, assistir,
participar, estudar, comprar, comer), porque foram organizadas propostas para o
visitante usufruir do atrativo e estabelecidas condições de acessibilidade para
o público”. (CHIAS, J., 2007)
É
razoável pensar que não existe atrativo turístico que seja capaz de agradar a todos
os públicos. Mesmo em praias com balneabilidade favorável é possível haver
contrariedades, como a presença de poluição ambiental residual e sonora ou a
forma desorganizada ou predatória da ocupação do espaço na praia.
Diante
do exposto, surge a necessidade para o desenvolvimento do Projeto Trilha Dourada,
que contemplará, entre outras ações, o desenvolvimento de pesquisa participante com os
estudantes do curso de Hospedagem e Turismo na Ilha de Cotijuba, com a
finalidade de estudar e identificar os recursos da ilha com valor potencial de
serem transformados em produtos turísticos ou quando já explorados, avaliar e identificar
o grau de aproveitamento turístico atual na Ilha.
Ressalta-se
que o valor potencial dos recursos da Ilha a ser estudado no Projeto Trilha Dourada, relacionam-se
as seguintes características: a) singularidade dos recursos: algo que é
exclusivo da ilha e que pode gerar forte atração turística, como a paisagem; b) valor intrínseco: valor inerente a cada recurso, mas que
o coloca em destaque em relação a outros recursos, como trilhas, patrimônio histórico-cultural;
c) identidade local: que é o valor
que possui um recurso pelo fato de ser próprio do local, formando a identidade
do lugar; d) arranjos produtivos:
empreendimentos criativos, farmacologia
nativa, curiosidades.
Informações
preliminares levantadas sobre Cotijuba denotam um grande potencial para o
desenvolvimento do “turismo de base
comunitária”, com envolvimento de sujeitos e instituições orgânicas
presentes na ilha, com possibilidade de exploração de recursos relacionados a
memória histórica material e imaterial da ilha, os diversos potenciais da sua
biodiversidade (farmacêuticos, essências aromáticas, manguezais, frutíferas
típicas, trilhas...) e empreendimentos comunitários e associativos inovadores
da ilha.
Além
disso, vale ressaltar que é importante neste projeto diagnosticar quais
recursos possuem excepcional potencialidade de serem convergidos em produtos
turísticos ao ponto de induzirem viagem e destino
em alta e baixa temporada, possibilitando a ampliação da permanência do turista no seu destino ou motivando seu retorno ou mesmo a disseminação positiva da sua estadia no local de viagem,
estimulando novas visitações turísticas.
Por
fim, é relevante frisar que a participação dos estudantes do curso de Turismo e
Hospedagem está vinculado ao conhecimento dos seguintes conteúdos e informações:
Sustentabilidade e biodiversidade;
Patrimônio histórico; Associativismo e Turismo de base Comunitária; Metodologia
de pesquisa (tratamento, representação gráfica e análise,).
Em
síntese, o Projeto Trilha Dourada
desenvolverá um inventário,
identificando e descrevendo a Ilha de Cotijuba. Irá diagnosticar e analisar os recursos
e características da estrutura
sócio-econômica local, identificando o perfil da oferta e demanda turística, e por fim, apresentará um prognóstico com sugestões para um
melhor aproveitamento ou formulação de políticas e ações turísticas na Ilha de
Cotijuba.

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